Obras inspiradas em pessoas reais

Quadro de uma homem rodeado por girassóis entregando um girassol à uma criança.

“Quem é deprimido pode viver bem se corretamente tratado”

“Aos 14 anos já andava deprimido, sem vontade de ir para a escola, de fazer amizades. Lembro que eu chorava muito no banho. No ano seguinte perdi meu avô para o câncer e foi complicado pois tínhamos um vínculo único, especial. Cai em total depressão, mas pedi ajuda aos meus pais e comecei a fazer terapia. A primeira visita ao psiquiatra só aconteceu seis anos depois.

A depressão deixou rastros gravíssimos na minha vida. Meu Ensino Médio foi conquistado a base de atestados e enquanto meus amigos viviam felizes, se divertindo, eu não conseguia sair da cama. Assim, me tornei cada vez mais inseguro e solitário.

Quando me formei decidi arriscar: mudei de cidade para estudar Filosofia. Adoeci por morar sozinho. Foi a primeira vez que pensei em suicídio. Voltei a viver com meus pais e, entre os 17 e 19 anos, fiquei de cama por um bom tempo.

Depois de alguns altos e baixos me recuperei. Quem é deprimido pode viver bem se corretamente tratado.

“A depressão é um sinal de que tem algo muito errado que você não está dando a devida atenção”

Saúde Mental é uma condição da dignidade humana e inclui a autoestima também. Sou um homem trans, me identifico como homem. Mais de 85% dos homens trans já pensaram ou tentaram cometer suicídio¹. Eu não tenho muitos exemplos de pessoas que são trans e vivem totalmente felizes, então isso me abala.

Mas hoje consigo fazer planos para o futuro. Quero me formar em Psicologia e clinicar, ter um consultório. Porém, meu maior sonho mesmo é ser pai”.

Samuel Bittar, 23 anos, estudante de psicologia.

( 1 ) “Relatório Transexualidades e Saúde Pública no Brasil”, Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT e do Departamento de Antropologia e Arqueologia

Imagem de uma onde em tons de amarelo.