Obras inspiradas em pessoas reais

Quadro de um homem pintando outro quadro onde um girassol floresce de um livro.

“Quando entendi o que tinha pensei:
‘Ufa! Agora posso ser tratado!”

“Desde sempre tive muita dificuldade de verbalizar meus problemas mais íntimos, meus sentimentos. Mas minha mãe percebeu que eu precisava de ajuda e, em 2004, fui diagnosticado com transtorno bipolar, depois de alguns anos me sentindo deprimido, com crises de pânico e mania.

Na época cursava Arquitetura. Depois, passei em Artes Plásticas, mas demorei para concluir porque fiquei muitos anos com depressão e com as manias, mesmo me tratando com psiquiatra e psicólogo. Quando entendi o que tinha pensei: ‘Ufa! Agora posso ser tratado’. Mas é uma doença difícil porque o paciente precisar estar muito atento sempre ao que sente. É complicado encontrar a melhor medicação para cada caso. Interrompi várias vezes o tratamento por conta própria.

A pessoa com transtorno bipolar pode entrar facilmente em desequilíbrio. Problemas simples se transformam em gigantescos e, por não sabermos lidar, achamos que é o fim e que a solução talvez seja esperar, deitado numa cama. É quando surge a dificuldade de tomar banho, de se alimentar. Não se consegue fazer nada.

Tem outro lado deste transtorno também: quando a pessoa se sente mais poderosa. Porém, não consegue dormir; perde-se a noção das coisas, o foco.

“Problemas simples se transformam em gigantescos e, por não sabermos lidar, achamos que é o fim (...). É quando surge a dificuldade de tomar banho, de se alimentar. Não se consegue fazer nada”

Mesmo com todas essas adversidades, consegui concluir duas faculdades, lancei um livro de poemas, fiz uma exposição na qual vendi muitos quadros. Há mais de um ano e meio que não tenho nenhuma crise. Estou estável e capaz de fazer minhas atividades. Meu sonho é superar tudo isso.”

Marco Campos Porto, 42 anos, artista plástico e arquiteto, Brasília.

Imagem de uma onde em tons de amarelo.