Obras inspiradas em pessoas reais

Quadro com pessoas sentadas no meio de um grande girassol com uma luz bem no centro.

“Se não conseguir ajuda hoje, não termino esse dia vivo”

“Sempre fui muito introspectivo e desde a minha infância tinha comportamentos diferentes das demais crianças. Aos 11 anos sofri minha primeira crise depressiva, logo após o falecimento do meu avô. Fiquei um mês em casa sem chance de ir pra escola, totalmente recluso, chorando todo dia. Essa depressão severa foi a primeira de muitas, porém, não pedia ajuda.

Acontecimentos na minha vida me levaram a outras crises. Internação dos meus pais ao mesmo tempo – minha mãe com pedra nos rins e meu pai com problema pulmonar – demissão, término do meu namoro, a entrega do TCC, depois o falecimento da minha avó. A princípio pensei que conseguiria seguir em frente, mas depois de tudo disso desci ladeira abaixo. A pior depressão de todas. O relacionamento com minha família foi ficando difícil porque eu descontava tudo nos meus pais já que eles não me compreendiam.

Preferia estar morto do que viver o que estava vivendo. Tive vontade de me suicidar. Certo dia pensei: se não conseguir ajuda hoje, não termino esse dia vivo. Foi então que decidi me cuidar.

“É preciso dar o braço a torcer quando se precisa de ajuda”

Quando recebi o diagnóstico sentia vergonha, hoje não mais. Se lá atrás eu tivesse feito isso antes e anunciado que não conseguia lidar com essas questões sozinho, minha vida teria sido diferente. E saúde mental é o pilar principal da vida, pois se não tivermos bem não conseguimos fazer nada, nem estudar, nem trabalhar, nem dar atenção a quem se ama.

Hoje estou em tratamento e bem perto da estabilidade mental. Não tive mais crise, estou desempenhando bem no trabalho, no relacionamento com meus pais. É preciso ter percepção e saber dar o braço a torcer quando se precisa de ajuda”.

Marcelo Deakins Mezei, 24 anos, Treinador de equipes de RH, São Paulo.

Imagem de uma onde em tons de amarelo.